26 de fevereiro de 2012

Eu e meus amores passageiros de ônibus - Parte 1

Apenas um dia qualquer em que se resolve ir ao centro, pra se gastar alguns tostões com uma nova camiseta.
Nesse enorme caminho passamos, nem que por alguns segundos, entre milhares de historias, corredores de caos, poluição e grafites, até que dentro do ônibus, nasce mais uma historia.
Aqueles trabalhadores ranzinzas, estressados, se preparando pra mais um dia, incomodados com todas as outras pessoas, bravas com qualquer toque alheio, sem sorrisos, sem gentileza ou paciência, até que uma simples garota entra, dá bom dia ao cobrador e estende um largo sorriso, passa pela catraca e vai até um lugar menos
desconfortavel e dá inicio ao sonho de um simples passageiro. 
Como pode, alguem tão subitamente entrar nos sonhos de outro alguem? Com um sorriso sutil invadir a imaginação do bobão do ultimo banco. Talvez a beleza singela, o sorriso contagiante ou o jeito simples? qualquer coisa, que ela tornava imaginavelmente feliz. 
Ainda distante, reparando lá de longe, a imaginação perturbou o poeta.
Educação não vista antes, um destaque entre o pessimismo de todos que estavam de pé. Lá estava ela, meu sonho, de pé e distante.
Apenas alguns passageiros me separavam daquela vontade que ali nasceu.
Alguns minutos se passam até que algo diferente acontece.
Uma senhora de vermelho, muito incomodada com tudo, com uma criança no colo, resmungando junto da passageira ao seu lado.
A criança em seu colo começou a conversar com a "moça" como ela a chamava, até que percebeu e perguntou se ela ia descer, ela com sua voz calma e simpatia respondeu: "Sim, rapazinho", ele se virou para a senhora que o segurava e perguntou "posso apertar o botãozão?", até que a senhora o segurou para que se esticasse para dar o sinal.
Aquela bela garota que ali despertou meu imaginario, começou a descer os degraus daquele gigante articulado, deu um discreto tchau pro "rapazinho", mostrou um pouco mais do seu belo sorriso e com toda delicadeza, desceu e seguiu seu caminho.
E o bobo do ultimo banco, encostou a cabeça na janela e pensou:
-Lá se vai mais um sonho.

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